Todo começo carrega um silêncio fértil. Um instante suspenso em que o tempo parece pedir atenção, escuta e olhar. É nesse intervalo, entre o que ficou e o que ainda pulsa como promessa, que nasce esta exposição. O ano começa na minha lente propõe um gesto simples e profundo: olhar. Olhar de novo. Olhar melhor. Cada fotografia aqui reunida é um ato inaugural, um primeiro passo dado pelos artistas rumo a 2026, não como quem busca respostas, mas como quem confia na potência do sensível. São imagens que não anunciam o ano; elas o inauguram. Na Galeria Mblois, a fotografia se afirma como linguagem de presença e de afeto. Cada artista imprime na imagem sua própria maneira de habitar o tempo. Alguns com delicadeza, outros com urgência, outros ainda com contemplação silenciosa. Juntas, essas lentes constroem um coro visual onde a experiência individual se transforma em partilha. Mais do que registrar o mundo, estas obras o reinventam. Revelam que começar um ano com arte é aceitar o convite ao espanto, à pausa e à escuta do invisível. É reconhecer que, antes de qualquer calendário, o tempo nasce no olhar. Que este início de 2026 seja atravessado por imagens que nos ensinem a ver e, ao ver, a sentir. Que cada fotografia seja um sopro de luz, um ponto de partida, uma promessa. Aqui, na Galeria Mblois, o ano não começa em páginas viradas, mas em lentes abertas. Seja bem-vindo! Curadoria M. Montezi |