Na história da Arte, está evidente que a participação feminina se dá marcada pela exclusão e invisibilidade, num cenário onde a desvalorização estava presente, principalmente, quanto ao reconhecimento público do que produziam. Ao longo do tempo, há uma mudança crescente do valor do que criam em ateliês pelo mundo. Assiste-se uma virada fantástica - a mulher e seus corpos retratados ao longo dos séculos na visão masculina, abre perspectivas inovadoras, trazendo um olhar para além do que consta nos discursos oficiais, independente de período artístico. Não são seus corpos que estão nas telas e fotos ou nas esculturas masculinas, mas, sim, um mundo sem limites, seja de linguagens, poética e narrativas. Passa a ser, consciente ou não, um novo espaço de poder, de discurso não mais velado. Se ao criar não mais encontra barreiras sociais, o poder feminino ganha amplitude e representatividade na arte. Não se trata mais da figura feminina representada em diferentes formas de expressão artística, mas sim, como criadora da obra e de sua visão de realidade e de mundo. No Brasil, a criação do Liceu de Artes e Ofícios, em 1857, possibilitou, somente a partir de 1881, a frequência das mulheres, o que só aconteceu também na Escola Nacional de Belas Artes, como alunas, em 1893. A arte feminista contemporânea produz obras que incorporam muitas vezes uma crítica direta às estruturas sociais e políticas, sendo por certo uma forma de resistência, muitas vezes transgredindo os limites tradicionais e transitando nos espaços de diferentes mídias. Na arte brasileira , a representatividade feminina apresenta importantes figuras, tendo projeção internacional, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Lygia Clark, Lygia Pape, Tomie Ohtake, Maria Bonomi, Regina Silveira, Djanira e Beatriz Milhazes. Aqui, a ótica que se busca é a feminina, o mundo diante de sua percepção, como é registrado ou representado, frente às suas contradições e evoluções. Uma ARTE que traz em si novas significações, que é contemporânea nos recursos e temas narrados. Curadoria M. Montezi |