Com forte carga poética e subjetiva, esta exposição propõe um encontro com os fragmentos – sejam eles memórias, partes de processos criativos, experiências, afetos, vestígios materiais ou simbólicos – que habitam a trajetória de cada artista convidado. A proposta nasce da compreensão de que criar é caminhar. E, ao caminhar, algo sempre se desprende: imagens, temas, intenções, escolhas. Por vezes, um gesto simples desencadeia um turbilhão criativo sobre o suporte escolhido. Em outras, há o abandono doloroso de um tema querido, para abrir espaço a novas formas de expressão. “Fragmentos que vou deixando” reúne obras que lidam com o tempo, a memória e a construção da identidade a partir do que se perde ou se transforma – e não apenas do que se acumula. Caminhar é também deixar pedaços de si ao longo do percurso. A cada gesto e decisão, algo se fica para trás – não como perda, mas como maturação, mudança, testemunho. É possível perceber obras que rompem narrativas lineares, apostando em leituras feitas de lacunas e silêncios. Outras constroem verdadeiros inventários de afetos esquecidos, resgatados em algum ponto do trajeto. Todas carregam a marca da busca contínua por sentido, por expressão, por pertencimento. Aqui estão reunidos fragmentos do caminhar destes artistas, revelados em suas criações. Convidamos você, visitante, a atravessar esta exposição com atenção e sensibilidade. Perceba as marcas do tempo impressas em cada obra. Reflita sobre sua própria trajetória. Quais fragmentos você tem deixado pelo caminho? Estes são os dos artistas que hoje generosamente compartilham conosco os vestígios de sua passagem. Nesta exposição, prestamos também nossa homenagem póstuma à artista Nancy Palmeiro – a pintora que dominava o verde como poucos. Sua sensibilidade cromática e presença poética seguem ecoando nos espaços por onde passou, agora eternamente entre nós, em cor e memória. Curadoria M. Montezi |